Intelectuais nos fizeram chegar suas opiniões
Atilio Boron, Argentina, Jurado da Segunda Edição
O II Concurso foi uma amostra eloqüente do vigoroso ressurgimento do pensamento crítico na América Latina. O número e variedade dos trabalhos fez com que o júri tivesse que desenvolver um trabalho extenuante, tendo que experimentar, de forma reiterada, a incomodidade de se abster de premiar obras que, sendo de uma qualidade sobressainte, o mereciam amplamente. Estou convicto de que esta iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto Cubano do Livro cumpre um objetivo político-intelectual de primeira ordem, ao estimular entre as jovens gerações da Nossa América uma reflexão séria, rigorosa e revolucionária sobre as condições que prevalecem em nossos países. Devido ao caráter estratégico que assumiu a “batalha de idéias” as contribuições reunidas por ocasião do Segundo Concurso constituem um valioso contributo para essa luta.
François Houtart, Bélgica, Jurado da Segunda Edição
O impressionante foi o número e a qualidade dos ensaios enviados. Foi difícil fazer uma escolha entre tantos textos de valor. O conjunto também é uma mostra do que se trabalha hoje em dia nas ciências sociais e nas preocupações dos meios progressistas. É muito animador ver que o pensamento não se detém, apesar do peso do neoliberalismo atual.
Maria Ciavatta, Brasil, Jurado da Segunda Edição
Inicialmente, quero agradecer a Cuba e a CLACSO a oportunidade e a honra de realizar este trabalho como jurado do Concurso Pensar a Contracorriente, junto a companheiros tão cultos e competentes quanto de amável convivência. Além disso, é sempre uma emoção voltar a Cuba, estar neste lugar e ver a importância que a cultura e a educação têm neste país.
Pensar contra a corrente é subir o rio apesar da correnteza em sentido contrário e não intimidar-se e seguir adiante, entre as pedras, se necessário. Senti que o esforço destes dias foi uma pequena contribuição a um projeto significativo de preservação do horizonte da emancipação humana.
Além desta rica experiência, levo comigo a mensagem do Tribunal contra todas as formas de terrorismo, em defesa da vida, junto aos movimentos sociais, às organizações populares, aos movimentos campesinos, em particular o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.
Foi significativo vir a Cuba mais uma vez. E é significativo o que levo dentro de mim, da vivência destes dias. Pensar contra a corrente é uma idéia luminosa, idéia que abre, que impulsiona a fazer a crítica das condições perversas da acumulação do capital e da desigualdade brutal em que vivemos. Pensar contra a corrente é organizar a luta onde quer que estejamos.
Muito obrigada,
La Habana, 09 de junho de 2005
Alfonso Sastre, País Basco, Presidente do Júri da Terceira Edição
A “contracorrente” deste Prémio é, ao mesmo tempo, testemunho da atividade nos nossos dias de uma corrente intelectual crítica que se está manifestando já como um propósito de reagrupamento do que Rubén Darío chamou de “tantos valores dispersos”. Esta corrente é, com efeito, uma contracorrente em relação à de fuga para a direita ou o descompromisso caseiro que se pode verificar no panorama da inteligência a raiz de fenômenos do século passado como a queda das esperanças que pôde suscitar o movimento que se conhece como “maio de 68” e, sobretudo, o derrubamento do chamado “socialismo real”. |